Preço e venda

Como incluir as impressões 3D que falham no preço de venda

Atualizado em 1 de novembro de 2026 · 7 min de leitura · Equipe MakerPrice 3D

Os dois métodos de conta

Cada peça boa precisa pagar também as tentativas que deram errado. Há dois jeitos de fazer essa conta:

Método 1, percentual sobre a produção: reserva = custo de produção × taxa de falha. É o que a calculadora faz com o número que você põe no campo.

Método 2, dividir pela taxa de acerto: custo por peça boa = custo de produção ÷ (1 − taxa de falha). A reserva equivalente é taxa ÷ (1 − taxa).

O método 2 é o exato. Se 1 em cada 10 tentativas falha, as 9 peças boas pagam as 10 tentativas: cada uma carrega 1/9 de uma tentativa a mais, ou 11,1%. Com uma reserva de 10%, as 9 peças juntam só 0,9 tentativa, e falta um pedaço.

10 tentativas, 1 falha 9 peças boas pagam as 10 tentativas perdida Reserva de 10% 9 × 10% = 0,9 tentativa Reserva de 11,1% 9 × 11,1% = 1 tentativa 10 tentativas, 1 falha 9 peças boas pagam as 10 tentativas perdida Reserva de 10% 9 × 10% = 0,9 tentativa Reserva de 11,1% 9 × 11,1% = 1 tentativa
Com 1 falha em 10 tentativas, as 9 peças boas têm de pagar uma tentativa inteira a mais: 1 ÷ 9 = 11,1% por peça.

Os dois métodos andam juntos quando as falhas são raras e se afastam quando são muitas:

Taxa de falha medida Reserva pelo método 1 Reserva exata (método 2) Falta no método 1, a cada R$ 100 de produção
5% 5% 5,3% R$ 0,26
10% 10% 11,1% R$ 1,11
15% 15% 17,6% R$ 2,65
20% 20% 25,0% R$ 5,00
30% 30% 42,9% R$ 12,86
50% 50% 100% R$ 50,00

Conta exata: reserva = taxa ÷ (1 − taxa). As taxas da tabela são exemplos para a conta, não médias de mercado.

Para usar o método exato na calculadora, ponha no campo a reserva da terceira coluna: com 10% de falhas, digite 11,1.

O que a reserva cobre e o que fica de fora

A reserva é somada ao custo de produção da peça, que é material + energia + máquina. Na calculadora do MakerPrice 3D, o campo "Reserva para falhas" incide exatamente sobre essas três linhas. Fica de fora:

  • O seu tempo para recomeçar. Limpar a mesa, tirar o espaguete e mandar de novo leva minutos. Se isso acontece com frequência, some esses minutos ao tempo de preparo.
  • Insumos e embalagem. Em geral, só a peça boa é pintada e embalada, então eles não se perdem na falha.
  • Defeito descoberto depois da venda. Isso é devolução: entra como custo do pedido, não da impressão.

Exemplo com a peça de 85 g

Pegue a peça do guia de quanto cobrar por impressão 3D: material R$ 9,35, energia R$ 0,57 e máquina R$ 2,33, um custo de produção de R$ 12,25 por tentativa. Suponha que o histórico do mês mostre 18 peças boas e 2 com falha: 2 ÷ 20 = 10%.

  1. Método 1, reserva de 10%: R$ 12,25 × 0,10 = R$ 1,23.
  2. Método 2: R$ 12,25 ÷ 0,90 = R$ 13,61 por peça boa, uma reserva de R$ 1,36.
  3. Com um material novo que perde 1 peça em cada 4 (25%, hipótese): R$ 3,06 pelo método 1 e R$ 4,08 pelo método 2 (R$ 12,25 ÷ 0,75 = R$ 16,33).

Com falhas raras, a diferença é de centavos. Com falhas frequentes, passa de um real por peça. E esse dinheiro ainda recebe o acréscimo e as taxas por cima, porque a reserva faz parte do custo.

Falha no meio do caminho gasta só uma parte

Uma impressão que solta da mesa na primeira camada perde poucos gramas e poucos minutos. Um deslocamento de camada a 90% da altura perde quase tudo. Se você sabe em que ponto as suas falhas costumam acontecer, a reserva pode ser menor:

reserva = taxa ÷ (1 − taxa) × fração média já impressa quando a falha acontece

No exemplo, com falhas que param em média a 40% da impressão: R$ 1,36 × 0,4 = R$ 0,54 por peça boa, em vez de R$ 1,36.

Duas ressalvas:

  • Falha que ninguém viu gasta tudo. Sem alguém olhando ou um sensor que pare a impressora, ela segue extrudando no ar até o fim do arquivo. Vira espaguete com o material e a energia da peça inteira.
  • Na calculadora, ajuste os gramas. Ao confirmar uma impressão com peças com falha, a prévia conta tentativas completas; se a falha aconteceu antes do fim, corrija o peso, como a própria tela avisa.

Como medir a sua taxa de falha

taxa de falha = peças perdidas ÷ (peças boas + peças perdidas), contadas num período.

No MakerPrice 3D, ao terminar uma impressão, o bloco "Confirmar impressão" pede as "Peças prontas" e as "Peças com falha". Só as boas entram no estoque, e a lista "Impressões confirmadas" mostra quantas falharam em cada produção. Some as boas e as com falha de um mês e faça a divisão. Por exemplo, 46 boas e 4 com falha dão 4 ÷ 50 = 8%.

Quatro cuidados:

  • Conte peças, não placas. Uma placa com 4 peças em que 1 se perde são 4 tentativas e 1 falha.
  • Separe por material e por impressora quando eles se comportam diferente. Misturar um PLA que você já domina com um material novo esconde os dois números.
  • Pouca amostra engana. Com 5 tentativas, uma falha vira 20%; com 50, vira 2%. Quanto mais impressões no histórico, mais o número vale.
  • Teste de calibração não é falha de produção. As impressões de ajuste de um material novo são custo de aprender, não reserva das peças que você vende.

Enquanto você não tem histórico, a dica do campo sugere começar em 8% (12% na resina). É um chute inicial, não uma média medida: troque assim que tiver o seu número.

Situações que mudam a taxa

Situação Por que a taxa muda Como tratar na reserva
Impressora regulada, material e perfil que você já usa menos variáveis novas use o histórico dessa combinação
Material, cor ou perfil novo as primeiras impressões são de ajuste separe a calibração e meça de novo depois
Peças grandes e longas mais horas para algo dar errado, e a falha perde mais meça a taxa só das impressões longas
Peças altas e finas, muito suporte, materiais que empenam adesão e estabilidade mais difíceis reserva própria para esse tipo de peça
Várias peças na mesma placa uma falha pode perder uma peça ou a placa toda conte por peça e veja o que acontece com as vizinhas

Sem números de propósito: não há uma taxa padrão publicada que valha para a sua impressora. O que muda de uma linha para outra é a direção; o valor sai do seu histórico.

Nas peças grandes, uma falha pesa mais do que qualquer percentual sugere. Imagine uma peça de 600 g e 30 horas com os mesmos valores de referência: material R$ 66,00, energia R$ 3,42 e máquina R$ 14,00, um custo de produção de R$ 83,42. Uma falha a 80% do caminho joga fora R$ 66,74. Nesses casos, reduzir o risco vale mais que aumentar a reserva: primeira camada bem feita, filamento seco, acompanhar o começo e, se der, dividir a peça em partes. O guia de erros de iniciante reúne as causas mais comuns, e o de custo em lote mostra como dividir os custos de uma placa cheia.

Perguntas frequentes

A reserva para falhas vira lucro se eu não falhar?

Vira. Ela faz parte do custo, então recebe o acréscimo por cima como qualquer outra linha. Se no fim do mês você falhou menos que o previsto, a sobra fica com você; se falhou mais, a diferença sai do lucro.

Peça com um defeito pequeno conta como falha?

Se você não vai vendê-la pelo preço cheio, conta. Outra saída é registrar como boa e vender como peça de segunda, por um preço menor. O que importa é que a conta do mês feche com o que aconteceu de verdade.

Devo usar a mesma reserva para filamento e resina?

Não necessariamente. São processos diferentes, e cada um tem o seu histórico. Na resina, uma falha pode perder a placa inteira de uma vez, e a peça grudada no filme FEP pode estragar o filme. Meça cada tecnologia separado.

Falha por filamento úmido ou bico entupido entra na taxa?

Entra, porque foi o que aconteceu. Mas se uma causa se repete, resolver a causa sai mais barato que carregar uma reserva alta para sempre: secar o filamento custa menos que reimprimir.

Preciso de reserva se eu reimprimo de graça quando falha?

Precisa, porque a reimpressão não é de graça: ela gasta material, energia e horas de máquina. A reserva é justamente o dinheiro que paga essa reimpressão. Sem ela, quem paga a peça perdida é o seu lucro.

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